Cetose, eu te amo

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Hoje faz exatos 25 dias que comecei pra valer a mudança de alimentação. No caso da minha nova dieta pra vida, faz esse tempo que não como mais grãos de todos os tipos, o que inclui farinha de trigo e seus derivados, inclusive as opções integrais. Nada mais de pão, massas, bolos, tortas. O açúcar eu já vinha diminuindo há alguns meses, mas também parei de vez.

Para não desistir com tantas novidades, quando iniciei decidi dividir a retirada em três fases: primeiro a redução dos açúcares, depois os grãos (como contei aí em cima) e finalmente leite e derivados (exceção para manteiga e creme de leite fresco). Confesso que a última “fase” foi muito mais complicada pra mim. Quando tirei os açúcares e os carbos originados de farinha, sofri dois dias e depois minha vontade foi diminuindo muito. Mas quando tirei principalmente os derivados de leite foi um sofrimento. Adoro iogurte e queijos. A boa notícia é que essa parte não é proibida pela dieta, é uma recomendação de teste, porque a grande maioria das pessoas não processa bem a lactose (mesmo achando que processa) e quando retira sente a diferença – como foi o meu caso. Faz apenas 5 dias que realmente retirei leite e derivados do cardápio e me sinto muito melhor, mais leve, menos inchada. Como em 10% da dieta é permitido dar umas escapadas, posso comer isso de vez em quando sem os malefícios da ingestão diária.

mudança de alimentação: necessidade

O resultado de toda essa revolução no meu menu foi o melhor possível. Apesar do peso não ter reduzido muito desde o início de março (eu estava com 71 quilos agora estou com 69,9), a minha cintura passou de 82 cm para 78 cm em menos de um mês. É um número bastante animador, pelo menos pra mim, principalmente porque não aumentei quase nada a minha carga de exercícios e ela não é nada alta.

Por que tanta diferença de medidas e não nos números da balança? A resposta aqui também é positiva. Acontece que gordura pesa menos que os músculos, mas ocupa muito mais espaço. Quer dizer que meu corpo está usando gordura como primeiro combustível e não glicose.

Ou seja, estou em estado cetogênico. A cetose acontece quando a quantidade de carboidratos ingeridos fica abaixo de um certo nível que não faz com que o corpo tenha picos de insulina. Esses picos são os responsáveis por fazer o organismo parar de queimar gordura e, pior, passar a estocá-las para uso futuro, se houver necessidade. Não haveria nenhum problema com esse processo se não estivéssemos em um mundo onde a ingestão de carbos é tão alta que torna os picos tão constantes, por tanto tempo, que o corpo perde a sensibilidade. Resultado: boa parte do que uma pessoa ingere hoje vai direto para a capa de gordura corporal, nos dando aquele nada simpático aspecto de bujão ou barril, como vocês preferirem. Quando se está em cetose ocorre o contrário, sempre que o corpo precisa de combustível extra, vai direto buscar nos depósitos de gordura.

Depois de muitos e muitos anos consumindo carbos em excesso, as chances de que se tenha desenvolvido o que os médicos chamam de síndrome metabólica (que é toda essa confusão dos pontos de sensibilidade dos processos corporais que danifica os órgãos e o funcionamento do organismo) é alta. Para brecar e tentar reverter seus efeitos é preciso dar um choque no corpo, fazendo com que a ingestão de carbos caia a níveis realmente baixos (menos de 50 gramas por dia, em alguns casos menos de 20).

Confesso que no início duvidei tanto dos possíveis resultados quanto da minha força para conseguir mudar sem cair em tentação, mas a verdade é que sinto cada vez menos fome. Me alimento melhor do que antes, pois não existem restrições de quantidade se você mantiver o corte dos alimentos que não são permitidos e se ativer àqueles presentes na sua lista de liberados. De repente você se vê passando horas sem comer e isso não causa qualquer tipo de mal estar. Nada de baixas de pressão e hipoglicemia. Eu, que sempre tive problemas com isso, fiz um teste: tomei apenas um smoothie em uma manhã de domingo e fui pedalar 25 quilômetros. Só bebi água durante a atividade física. Quando cheguei em casa, apesar do esforço, estava super bem, sem fome e acabei almoçando somente algumas horas depois.

Estou até aproveitando essa saciedade inesperada para colocar em prática os jejuns intermitentes. Mas isso eu conto pra vocês logo mais.

:)

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