Dizer a si mesmo que vai conseguir ajuda na performance

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Mantras motivacionais têm poder e podem ajudar, de verdade, na melhora da performance esportiva. Dizer a você mesmo que não está tão cansado quanto pensa pode transformar essa afirmação em verdade, o que nos relembra que a comunicação do corpo com a mente é um assunto que apenas se começa a entender.

Isso é o que diz um novo estudo, publicado no Medicine & Science in Sports & Exercise, em que pesquisadores da Universidade de Kent, em Canterbury, Inglaterra, analisaram um grupo de 24 mulheres e homens jovens, saudáveis e fisicamente ativos perguntando a eles se estariam dispostos de pedalar uma bicicleta até o ponto de total exaustão.

A fadiga física é uma condição surpreendentemente enigmática. Os cientistas ainda não entendem por completo como o corpo sabe que já fez esforço suficiente. Muitos podem imaginar que a atividade cessa quando os músculos ficam sem combustível ou acabam os fluidos necessários para o seu funcionamento. Mas em estudos com roedores, mesmo depois de forçados a correr até cair, os cientistas descobriram reservas nos músculos dos animais. Fisiologicamente eles continuavam capazes de fazer mais exercícios, embora seus corpos não parecessem pensar o mesmo.

Tais experiências levaram alguns cientistas, recentemente, a propor uma nova teoria na relação entre exercícios e fadiga em que o cérebro, ao invés dos músculos, daria início ao processo de exaustão depois de receber e analisar dados enviados pelo corpo. Um elemento atrativo dessa teoria, muitas vezes chamado de modelo psicobiológico, é que ele permite um maior espaço de manobra. Se a exaustão é determinada pelo cérebro e é, em algum grau, subjetiva, então teoricamente os incentivos corretos durante o treino poderiam convencer o cérebro de que é possível ir mais longe ou se esforçar mais do que se imagina ser capaz ou do que o corpo parece permitir.

Essa possibilidade motivou 0 novo estudo, especificamente projetado para determinar se o autoencorajamento verbal durante o treino poderia afetar os cálculos da mente e evitar a fatiga.

Para testar a ideia os cientistas primeiro fizeram uma série de medições físicas nos voluntários para ser utilizadas como base. Depois, durante sessões individuais de laboratório, os voluntários pedalaram uma bicicleta ergométrica computadorizada usando 80% de sua – já pré determinada – máxima força até sentir que não poderiam mais pedalar e desistissem. Durante o processo, foram mensurados batimentos cardíacos, força de pedalada e ritmo (pace). Com eletrodos fixados na testa e bochechas dos ciclistas, os pesquisadores também monitoraram suas contrações musculares faciais, aceitas como um indicador psicológico de aumento do esforço físico, e perguntaram diversas vezes a eles durante e após a conclusão do exercício quão difícil o exercício parecia, em uma escala de zero a 10.

Uma vez que as medições foram anotadas, eles foram divididos aleatoriamente em dois grupos. A um dos grupos foi pedido que continuasse com sua rotina normal de exercícios pelas próximas duas semanas. Os voluntários do outro grupo foram treinados em “self-talk” (falar consigo mesmo, em tradução literal), o tipo de brincadeira – em voz alta ou silenciosa – que muitos atletas usam durante treinos para se motivar.

Para a maioria de nós, self-talk é algo casual e, quando se torna uma obrigação, pode ser desmotivador. No caso do estudo, entretanto, os voluntários escolhidos aprenderam como fazê-lo de uma forma encorajadora com frases previamente escolhidas pelos psicólogos – como “Você está indo bem” – ou outra opção utilizada pelos voluntários em treinos passados. As frases deveriam então ser repetidas com frequência durante seus treinos nas duas semanas seguintes.

Depois dos 15 dias, cada grupo voltou para o laboratório e foi submetido a outro teste de ciclismo até a exaustão, durante o qual os voluntários do grupo de self-talk continuaram a repetir seus mantras; alguns em voz alta, alguns em silêncio. Depois disso ficou claro para os pesquisadores que o self-talk reforçou os sentidos e a performance dos atletas. O grupo que falou consigo mesmo pedalou muito mais antes de sucumbir à exaustão do que os outros ciclistas, informando que o exercício pareceu mais fácil mesmo que seus ritmos cardíacos e expressões faciais tenham sido as mesmas do primeiro teste, o que significa que a exaustão física aconteceu da mesma maneira – a diferença é que eles se sentiram bem por mais tempo e não pararam no mesmo ponto. Os ciclistas do outro grupo, por sua vez, repetiram em sua maioria as performances de antes, pedalando por aproximadamente o mesmo tempo antes de desistir e sentir o grau de desconforto do primeiro teste.

O principal resultado foi o de que falar consigo mesmo de forma motivacional é melhor que não falar. Mas uma leitura mais aprofundada dos dados fortalece a ideia de que a exaustão física se desenvolve, em um grau considerável, na mente. Se o ponto no tempo em que as pessoas deixam de se exercitar fosse determinado apenas biologicamente, o self-talk não faria nenhuma diferença – mas fez.

Para ser eficaz, porém, o self-talk deve ser consistente, segundo os pesquisadores. O melhor seria incorporar frases que nos encorajam e repeti-las sempre, inclusive de forma sistemática, em treinos ou competições que se participe.

Ou seja, escolha a sua frase de incentivo e use nos seus treinos a partir de agora!

© monica march

© monica march

Fonte: The New York Times

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