Nude pra que te quero

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Despir-se. Das roupas e das máscaras. Fazer um ensaio de nu nos deixa vulneráveis mas é nesse momento que somos mais bonitos – quando somos apenas nós, sem disfarces. Uma pena que a vida automática e intensa que vivemos nos dias de hoje faça com que a gente transforme isso em algo ordinário. Não é.

Semanas atrás recebi um convite inesperado: posar sem roupa para um fotógrafo extremamente talentoso e sensível, cujo trabalho admiro e acompanho com atenção. Me pegou de surpresa porque, sinceramente, pensava que o tempo para esse tipo de experiência tivesse passado. Tantas meninas lindas e novas por aí! Acho lindo, mas será que eu teria algo de interessante para mostrar?

Sempre amei fotografias. Acredito que uma de suas muitas capacidades está em nos envolver e nos transportar para mundos nos quais talvez não vivamos, mas que nos fazem bem só de olhar. Meu carinho especial pelos retratos está na possibilidade de captar o melhor de cada pessoa e depois presenteá-la com imagens que a farão se sentir bela sempre que olhar para elas. Quase não tive quem fizesse isso por mim, mas me lembro muito bem de como me senti nas vezes em que aconteceu.

Uma delas foi um pouco depois que completei 28 anos. É, faz tanto tempo que as fotos foram feitas em filme, reveladas e guardadas com cuidado. Tanto cuidado que sumiram, não sabia onde estavam e acabei esquecendo que existiam. Até esse último fim de semana. Ao arrumar alguns envelopes arquivados, qual não foi minha surpresa (boa) ao encontrá-las, poucas – apenas seis!, um pouco amareladas pelo tempo, mas com o poder de me fazer sentir maravilhosa. De novo.

Foi nesse momento que eu percebi que certamente as fotos que farei agora, me farão esse mesmo bem outros dez anos pra frente. Que irei pensar o quanto eu era bela com mais de quarenta, assim como hoje penso em como o era também aos quase trinta.

É por isso que quero nudes. Não é sacanagem, nem provocação. É amor. O próprio.